Eliezer Bezerra
Pintura
- Participação
- Artista
- Na feira
- Obras à venda, com preço informado no local
- Ateliê aberto
- dia e horário a definir
- @_eliezerbezerra
Biografia
Eliezer Bezerra (Feira de Santana, 1981) é artista visual e pesquisador, formado nas oficinas do Museu de Arte Moderna da Bahia, estudou Filosofia e História na UCSAL. Sua trajetória inclui participações em bienais e salões nacionais, como a Bienal do Recôncavo, além de coletivas que marcaram a cena contemporânea baiana.
Integrante do grupo ArtConceito, desenvolve uma poética que articula memória, corpo e território, explorando o desenho, a pintura e práticas experimentais. Sua obra propõe reflexões sobre identidade e cultura, reafirmando o papel da arte como espaço de reconstrução e diálogo.
Declaração do artista
Trabalho a imagem como quem escava. Há, sob cada superfície, uma arqueologia da matéria: não uma busca por origens, mas por vestígios que ainda vibram. Não me interessa fixar, mas revelar aquilo que resiste ao apagamento — formas em suspensão, corpos sem contorno, arquiteturas que se desfazem à medida que se inscrevem.
Nesta série, composta por desenhos em pequenos formatos, o tempo não é linha, mas campo. As imagens não narram; elas se acumulam, se perdem e reaparecem, como se algo nelas insistisse em não concluir-se. O gesto é falho por natureza — e é nessa falha que reconheço potência. A matéria, aqui, pensa. Os pigmentos, o grafite, o nanquim e o pó assentam-se sobre o papel como fragmentos de um discurso que não se articula por palavras.
Ecoam ideias que me atravessam: a história esfarelada de Walter Benjamin, a cintilação intermitente de Didi-Huberman, a desorganização dos corpos em Deleuze e Guattari. Mas esses ecos não se impõem; apenas reverberam, como ruídos que acompanham o gesto.
O que proponho não é uma imagem plena, mas uma imagem porosa. Uma presença que hesita. Um pensamento que se faz forma sem desejar conclusão. Entre o que ainda resta e o que já partiu, deixo que a imagem aconteça — como memória que não cessa de se mover.
Ficha técnica
Série “Entre camadas, o que persiste”, 2026, três obras, 20 × 30 cm (díptico), técnica mista sobre tela