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A feira

Coletivos

Além dos artistas que participam em nome próprio, a feira recebe ateliês coletivos, casas e acervos. Cada um traz os seus artistas, e é por eles que boa parte da produção da cidade circula fora do circuito das galerias.

Há mais artistas
do que instituições
para acolhê-los

Nem toda arte chega ao público pelo caminho das galerias. Desde o fim dos anos 1990, coletivos e iniciativas independentes vêm redesenhando o campo da arte contemporânea: são redes de trabalho e de relações que se formam para resolver problemas comuns e criar seus próprios espaços de circulação. Organizam exposições, escrevem seus textos, formam artistas e públicos, e respondem na prática a uma questão concreta: há mais artistas do que instituições para acolhê-los.

Na Bahia, essas iniciativas são parte viva do ecossistema das artes visuais. Não estão à margem do mercado nem contra as instituições: constroem pontes, abrem caminhos e ampliam quem pode ser visto. Por isso,  a feira dá destaque, nesta edição, a oito delas.

6 coletivos, casas e acervos · 29 artistas vinculados já publicados. A lista cresce conforme cada coletivo envia os seus nomes.

CAB — O Escritório

Também chamado de Circuito Arte e Boteco

Marca do CAB — Circuito Arte Boteco

O Escritório, ateliê coletivo do CAB (Circuito de Arte e Boteco), nasce como espaço de encontro, criação e articulação. Estruturado a partir de uma lógica compartilhada, busca tensionar as fronteiras entre produção e pensamento, compreendendo o fazer artístico também como prática coletiva e exercício de autonomia. Localizado no centro de Salvador e gerido pelo próprio CAB, o espaço reúne 13 artistas.

Operando simultaneamente como ateliê-base e plataforma relacional, o Escritório se constitui como um ambiente onde processos, trocas e experimentações atravessam as dinâmicas formais de produção. Mais do que um espaço de trabalho, afirma-se como um território de invenção contínua, que acolhe o processo como dimensão fundamental da criação e fomenta formas coletivas de permanência, circulação e existência no sistema da arte.

Acervo da Laje

Acervo do Subúrbio Ferroviário de Salvador

Marca do Acervo da Laje

Casa, museu e escola no bairro de São João do Cabrito, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Criado em 2010 por Vilma Santos e José Eduardo Ferreira Santos e mantido de forma independente, reúne obras de arte, fotografias, desenhos, bibliotecas e uma hemeroteca sobre o Subúrbio. Seu gesto central é deslocar a memória dos grandes centros para a periferia e dar lugar a artistas invisibilizados pelo circuito local, incluindo obras cuja autoria ainda está por ser revelada.

Zumví Arquivo Afro Fotográfico

Arquivo comunitário, desde 1990 · arquivo fotográfico

Marca do Zumví Arquivo Afro Fotográfico

O ZUMVI Arquivo Fotográfico é uma instituição idealizada, em 1990, por três jovens negros das periferias de Salvador. Tudo girava em torno do campo da documentação e memória: “Fotografar hoje para o futuro”, era assim que eles pensavam. Sem tal pretensão, esses fotógrafos criaram um “Quilombo visual”, desenvolvendo uma afro maneira de registrar e criando um arquivo de memórias imagéticas dos negros, hoje com 30 mil imagens, algo jamais feito no Brasil contemporâneo.

O Zumví também está presente nas principais exposições nacionais nos últimos anos, como Carolina Maria de Jesus (IMS), Dos Brasis, Brasil Futuro, Defeitos de Cor e a 35ª Bienal de São Paulo. Suas fotografias fazem parte de importantes coleções, como as do The Institute of Chicago e a University of Texas at Austin.

O nome une o “zoom” da lente ao testemunho de quem diz “eu vi”, e evoca Zumbi dos Palmares. Fundado por Lázaro Roberto, Ademar Marques e Raimundo Monteiro, e mantido hoje por Lázaro Roberto e pelo historiador José Carlos Ferreira, o Zumví afirma o direito da população negra de produzir e preservar a própria imagem.

4 artistas do coletivo na feira

  • Lázaro Roberto
  • Gerimias Mendes
  • Roberto Espírito Santo
  • Raimundo Monteiro

Casa do Alaká do Ilê Axé Opô Afonjá

Iraildes Santos e Norma Alves · panos da Costa

2 artistas da casa na feira

  • Iraildes Santos
  • Norma Alves

Pinacoteca do Beirú

Ateliê e acervo no Beiru, desde 2021

Xilindraw

Coletivo de Zé de Rocha · performance e gravura

Marca do Xilindraw

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