Hari Dali (Daniel Lisboa)
Neogramas · arte urbana
- Participação
- Artista
- Na feira
- Obras à venda, com preço informado no local
- Ateliê aberto
- dia e horário a definir
- @daniellisboa
Biografia
Daniel Lisboa (46) é artista visual, cineasta e mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Sua produção transita entre cinema, videoarte, instalação e intervenções no espaço urbano, investigando as relações entre imagem, cidade, linguagem e experiência contemporânea.
Graduado em Cinema, produz filmes desde 2002, tendo participado de importantes festivais nacionais e internacionais. Entre seus trabalhos destacam-se O Fim do Homem Cordial (2005), premiado no 15º Festival Internacional de Arte Eletrônica – Videobrasil, e Tropykaos (2016), vencedor do prêmio de Melhor Filme na 19ª Mostra de Cinema de Tiradentes.
Em 2009, venceu o 15º Salão de Artes da Bahia com a vídeo-instalação Material Bruto, trabalho que lhe rendeu uma residência artística internacional na Vrije Academie, em Amsterdã.
Em 2020, ingressou no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFBA, onde desenvolveu e defendeu a pesquisa de mestrado Sistema Desviário – Entropia Visual no Espaço Urbano, dedicada às relações entre arte, cidade e sistemas de representação.
A pesquisa desdobrou-se em trabalhos como a série Neogramas, que investiga a escrita, o signo e a organização visual do espaço urbano. Em 2025, foi premiado no I Salão de Artes da Pinacoteca do Beirú com a obra Neograma – Grades de Insegurança. Em 2026, participou da exposição coletiva DEVER DE RUA, no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia).
Nos últimos anos, realizou residências artísticas em Lisboa, no HANGAR – Centro de Investigação Artística, e na CARIBOA, ampliando sua pesquisa sobre arte urbana, território e deslocamento.
DaLi foi um dos contemplados pelo Premio Zabumba, em sua primeira edição, tendo as obras apresentadas na 5ª ART.PE, Feira de Arte Contemborânea de Pernambuco.
Declaração do artista
No BIP do leitor a laser sobre o código de barras, no timbre dos invasores do espaço do Atari, no livro das mutações na estante da minha mãe, no traço dos arquitetos da paisagem urbana, na palavra viva dos concretos, nos emblemágicos de Valentim, no que se pode riscar sob o risco da maldição, coloco, desloco, imploro a linha profana.
O átomo, o pixel, o pedaço do infinito, o ponto, o traço, a fuga, a representação. Na linha da fronteira arrisco o risco, o brilho no trilho, o desfazer do definitivo. Tudo pode onde nada é proibido. Invenção. Construção de sigilos, significantes insignificantes. No gesto artístico o corpo é comovido e redimido. Ou não? Quando venho pelos milênios, trago a ousadia do tempo comigo. Se não posso, precipito, repito, regozijo. Duplico, implico, quadruplico, multiplico riscos.
Se estou atravessado, atravesso o impossível. Hexagrama, Tetradecagrama, Hare Rama, soterogramas, pixo, bixo, tipo, mantra, camuflagem. Caligrafia urbana, avatar das ruas, feitiço metropolitano. Desenho com os pés na impressão da presença no espaço. Parede não é muro. São outros conceitos, não é mais (p)arte, é chamego. A palavra não quer ser lida, virou imagem, é outro lance, outra coisa, é conversa inversa. Dobra a língua, subversão semântica, disfunção sintática, desordem gramatical, quem por aqui caminha/observa é marginal.
Hari Dali é avatar urbano. Surge da profanação hindu e da dissolução da pessoa física ocidental. A paisagem é seu território, a linguagem seu objeto. Seu gesto é o desvio e o tensionamento dos sistemas estabelecidos. Dali promove a desordem visual através da subversão semântica. A palavra não deseja ser lida nem apreendida nesse jogo de (in)visibilidade. Outros códigos, outras conversas, outros sentidos se estabelecem nessa geometria mundana. Como um organismo vivo a palavra pulsa, vira imagem propondo novas formas e camuflagens. Bicho letra, letrados, pixo, tipos, ideogramas, antenas. Escrita desfiliada, assêmica, entropica e atópica. A rua é o fundamento, a presença no corpo da cidade, no convívio da margem, na ressignificação dos espaços. É no corre, no dia a dia, que o traço aparece. É no desserviço ao sistema que a tag acontece. Ultra-ficção, sigilos contemporâneos, feitiços metropolitanos. Dropframes na retina alheia. Signoclastia. Outra Sutra. Quem lê vê. Hari Bixo - Hari Pixo - Hari Hari!
Obras de destaque



Ficha técnica
Neograma – Amaralina Square, 2023, 40 x 60 cm, barras de ferro soldado
O Grito do Carnaval (Des)Interditado, 2023, 80 x 60 cm, acrílica sobre tela
Neograma – Shadow of the Night, 2025, 116 x 75 cm, alumínio, corte a laser
Trajetória
Formação
- Cinema
- Mestrado em Artes Visuais, UFBA